MESTRES DOS SABERES E DIFUSÃO DO CONHECIMENTO .

By | 08:49:00 Leave a Comment

CONHECENDO OS MESTRES DOS SABERES

Meu interesse em pesquisar as mulheres de Conceição iniciou-se, sobretudo quando conheci a Mãe Silvia de Conceição e pude através das suas narrativas perceber que de fato, grande parte da organização, do trabalho, do cuidado com as famílias, giram em torno das matriarcas. Geralmente essas mulheres são marisqueiras ou mariscadeiras que vivem para sustentar suas famílias. As mesmas vivem uma vida de muito trabalho, pois há uma rotina de trabalho, puxando redes, auxiliando os maridos ou companheiros na pesca, negociando peixes e mariscos, mariscando, cozinhando ou tratando peixes e mariscos que são retirados do mar de Conceição, considerada por muitos pescadores como maior porto pesqueiro da região.


Desta forma, ao conversar com essas mulheres fui descobrindo que todas elas fazem parte de uma cadeia produtiva da pesca, onde grande parte atua direta ou indiretamente na manutenção desta comunidade pesqueira. Para, além disso, as mulheres cuidam dos filhos, levam-no as escolas, cuidam dos maridos, e muitas inclusive são abandonadas e passam a criar suas famílias sozinhas sem auxilio de ninguém e são consideradas mãe/pai, pois mantém a família com trabalho e dignidade sozinhas, assegurando um futuro um pouco melhor para seus muitos filhos.

Dona Maria José (Zéo) foi incluída na pesquisa, quando em entrevista a própria comunidade de Conceição todos mencionavam o seu nome, pude perceber mesmo sem conhecê-la que a mesma era uma referência. Todos sabiam quem ela era, todos gostavam muito de falar sobre dona Zéo e este carinho todo não era só pelos 66 anos de reza e dedicação a saúde das pessoas, nem pelas poesias e discursos declamados nas Praças da Cidade, mas por ser uma mulher respeitada, querida e muito amada por todos os moradores da região. 

Abaixo vocês conhecerão um pouco mais da vida, da importância, das famílias e os legados das duas mestras do saber, que atualmente são meus objetos de pesquisa da dissertação do mestrado.

Mãe Silvia de Conceição de Salinas: 
A Matriarca que transmite legados da cultura afro-brasileira na região. 

Mão Silvia 

Nascida da Parteira Dona Filomena (Mãe da Parteira Rosa) como era comum numa comunidade carente e sem recursos de hospital e médico em pleno século XIX. Carmem Silvia Teixeira dos Santos na Cidade de Conceição de Salinas da Margarida (Que na época ainda era distrito de Itaparica) nasceu no dia 23 de Agosto de 1934. Ao nascer, a pequena Silvinha veio ao mundo predestinada a viver pela caridade e a fazer o bem.

Casa que nasceu a Mãe Silvia.

Cama que nasceu Mãe Silvia.
                                 
Filha de Maria José Teixeira e órfã de pai ainda menina, Mãe Silvia conhece com profundidade as dificuldades da vida. Marisqueira desde muito pequena, praticamente da Igreja Católica e devota de Nossa Senhora de Conceição, Dona Silvinha (como é conhecida no Povoado) dedicou seus quase 82 anos de vida de doação, caridade e entrega a esta comunidade.

Povoado de Conceição de Salinas

 Em 1955 Dona Silvia então com 21 anos casou-se com o Sr Letâncio Alvaro Marinho, filho de Manoel Ricardo Marinho e América Oliveira Marinho, de profissão pedreiro, também morador de Salinas nascido em 1938, 04 anos mais novo que ela, com quem teve três filhos.

Igreja de Nossa Senhora de Conceição - Construída em 1720


Dona Maria José “Zeo”: 
Devoção, arte e rezas tradicionais para manutenção da cultura popular da região.


Dona Zéo.

Dona Maria José Coelho Medina, mais conhecida como “Dona Zéo” nascida das mãos da Parteira Dona Rosa em 21 de Março de 1938, em Conceição de Salinas da Margarida. Filha de Feliciano de Paula Coelho (Falecido com 115 anos) e Maria Tomásia de Santana Coelho. Dona Zéo foi a filha caçula de uma família de 6 irmãs. Aos 12 anos, sem explicações ou aprendizados anteriores, percebeu que recebeu o dom das rezas curativas e orações, quando sua irmã recebeu na Feira do Japão no bairro da Liberdade em Salvador de um feirante um elogio e ficou com mau-olhado. A irmã bastante abatida pediu-lhe que procurasse a velha Ciriaca com na época 100 anos de idade para rezar-lhe ao que Dona Zéo de imediato se prontificou a fazer. Horas após a reza proferida por ela a irmã já estava bem, disposta e pronta para lavar roupas, conta ela.

Dona Zéo e "Seo" João: Momentos de um casamento feliz.
Paixão e Devoção de Dona Zéo por São José.
Dona Zéo desde então não parou mais de rezar, e tornou-se a rezadeira oficial de toda a sua família, amigos, conhecidos, vizinhos e de quem lhe procurava em busca de socorro, que ela fazia e faz por amor e caridade.
Dona Zéo, esposo e filhos.

Devota de São José, seu nome é uma homenagem ao seu nascimento um dia após o Dia de Santo Católico. Dona Zéo foi batizada, consagrada diante de Nossa Senhora de Conceição, crismada, fez primeira comunhão aos 14 anos, casou-se aos 26 com o Senhor João Madureira Medina, nascido em 18/01/1935 e falecido em 19/06/2007, comemorou bodas de ouro e próximo de celebrar as bodas de prata ficou viúva, de um casamento feliz, longo e apaixonado que lhe deu de presente 07 filhos.



ENTREVISTAS, FOTOS E VÍDEOS DA PESQUISADORA AS MESTRAS DO SABER


  
Ana Carla entrevista Dona Zéo: Rezadeira, Mãe de Leite, Poetisa e Oradora de Conceição de Salinas.


 
Ana Carla entrevista Dona Zéo: Rezadeira, Mãe de Leite, Poetisa e Oradora de Conceição de Salinas.

   
 Importância da Reza e da Mãe Silvia no Povoado de Conceição. 


  
Saber Popular de Dona Zeo.

 
 Ana Carla Nunes entrevista e Pesquisa a Mestra do Saber Mãe Silvia de Conceição de Salinas

 

 Ana Carla Nunes entrevista e Pesquisa a Mestra do Saber Mãe Silvia de Conceição de Salinas.

 

Mãe Silvia fala de Dona Zeo e de Conceição de Salinas.


 

Mãe Silvia de Conceição apresentando um dos altares do seu centro de umbanda.



Fotos,Vídeos e Textos: Ana Carla Nunes.

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários: